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25 de abril, agora e sempre

  • Foto do escritor: JS Alvalade
    JS Alvalade
  • 25 de abr. de 2020
  • 2 min de leitura

No dia que hoje celebramos o povo saiu à rua e proclamou que o povo é quem mais ordena. Hoje, passados 46 anos do 25 de abril de 1974, mais do que nunca precisamos de nos lembrar das reivindicações do nosso povo nessa altura: a democracia, a liberdade e que a vontade do povo, essa, seja cumprida.

E é precisamente este bem tão precioso que é a democracia que devemos celebrar . Foram 48 anos de uma ditadura que nos privou da liberdade de expressão, que nos tirou a possibilidade de podermos lançar o destino do nosso país, e em que o povo não tinha poder.

No entanto, parece que nos esquecemos das conquistas de Abril, e hoje, a democracia é um bem menor. Nas últimas eleições legislativas, 1 em cada 2 portugueses não foi exercer o seu direito de voto, e nas últimas eleições europeias, 7 em cada 10 portugueses não foram às urnas. Cada vez mais, os jovens desinteressam-se pela política e não participam nela, e no povo português surge cada vez mais uma angústia, impotência e desconfiança nas instituições democráticas.

É compreensível, é até expectável, que cada vez mais os portugueses se sintam injustiçados, maltratados, traídos até pela classe política. Mas a verdade é que deixámos de lutar. Deixámos de lutar quando deixámos de ir às urnas. Deixámos de lutar quando desistimos do escrutínio dos nossos políticos. Deixámos de lutar quando perdemos a capacidade de nos organizar e lutar pelos desafios dos cidadãos, e a nossa cidadania e participação cívica deixou de ter significado. Deixámos de lutar quando nos esquecemos de tomar ação e ficamos apenas pela resignação. Deixámos de lutar quando começamos a ficar viciados nos problemas, e não tentamos procurar as soluções.

E portanto, há uma pergunta que nos devemos fazer. Será que não queremos saber da política porque ela é assim? Ou a política é assim porque não queremos saber dela?

Não esqueçamos o que foram os 48 anos de ditadura, na qual não tínhamos participação democrática, mas acima de tudo, não tínhamos voz. Se hoje podemos votar, discutir e ficar em desacordo, associarmo-nos e manifestarmo-nos foi graças ao 25 de abril. A democracia foi outrora uma miragem longínqua e hoje temo-la de mão beijada.

Somos livres de exigir melhores salários. Somos livres de expressar a nossa opinião e os nossos ideais. Somos livres de votar. Somos livres de nos manifestarmos, de nos associarmos e de participar ativamente na vida cívica. Somos livres de lutar!

Portanto celebremos o 25 de abril e lutaremos por nós e pelo nosso povo.




 
 
 

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