Peço a palavra!
- JS Alvalade

- 17 de abr. de 2020
- 2 min de leitura
Faz hoje 51 anos do pedir da palavra de Alberto Martins, presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), em nome dos estudantes com o objetivo de mencionar o desagrado com o então atual sistema de ensino universitário português, aquando da cerimónia de inauguração do Departamento de Matemática. Na mesa, Américo Tomás encerra a sessão abruptamente após ter cedido a palavra ao ministros das Obras Públicas. A comitiva, quando saía, é ridicularizada pelos estudantes que decidem fazer a sua própria inauguração após a retiradas das autoridades.
No decorrer dessa noite Alberto Martins é preso, sendo libertado no dia seguinte. Realiza-se uma Assembleia Magna em que é exigido a participação no Senado Universitário, uns dias mais tarde alguns dos principais dirigentes são informados que houve uma suspensão das suas matrículas na Universidade. Após esta ocorrência é decretado, em Assembleia Magna, luto académico e os alunos são incentivados a tornarem as aulas em debates sobre a situação que decorrera.
A dia 6 de maio é dada a ordem ministerial para o encerramento da Universidade de Coimbra, sendo anulada a queima das fitas no dia seguinte. É publicada a denominada de “Carta à Nação” em que se afirma “a nossa luta só poderá fazer tréguas quando tivermos atingido uma Universidade Nova num Portugal Novo”, com o intuito de abrir este movimento ao exterior.
A 28 de maio, a Assembleia Magna ratifica, com ampla maioria, a proposta de “abstenção aos exames”, proposta esta que dependeria de uma grande adesão por parte dos estudantes. Como a cidade de Coimbra estava militarmente ocupada, os alunos decidiram realizar uma grande variedade de iniciativas como forma de protesto, soltando balões na baixa, distribuindo flores à população e distribuírem cartoons humorísticos.
Nos finais de julho a percentagem de exames boicotados era de 86.8%. Aqueles que rompiam, por pressão familiar ou com ameaças que as suas bolsas de estudo seriam removidas tinham o seu nome em listas públicas e eram alvo de julgamento.
Este movimento acrescenta palavras de ordem contra a guerra colonial, na despedida na Estação de Coimbra-B e segue para Lisboa.
Madalena Vasconcelos





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